Madonna - Papa Don’t Preach
Disturbia
Dias de terror.
Nem eu sei como foi que aqui cheguei, a verdade é que já previa o o que aconteceria, mas não verdadeiramente acreditava.
Chegou o horror, a solidão, o medo e a distância emocional da realidade e das pessoas, a plena incapacidade de pedir ajuda ou de me entregar totalmente à doença.
Bem-vinda seja, depressão.
Chorei e me desesperei, me entreguei e finalmente cedi. Deitei e dormi por dez dias intermitentes, até descobrir que não tenho dinheiro para passar o mês nesse tão confortável e doentio status.
Eu quero morrer, quero muito, só não sei como fazer. Tenho medo da dor e também de deixar os garotos, não sei o que será deles. É que por mim já não me interesso há muito.
Tenho tanta confiança na boa mãe que fui um dia que, mesmo aos pedaços, em frangalhos, tenho mais pavor de deixá-los que de continuar com eles, ainda que pela metade.
Por isso, devo aos meus filhos a minha vida de merda. Agradeço ou amaldiçoo?
Decido? Não tenho condições para isso ainda.
Não amo, não detesto. Não me levanto da cama, nem banho eu tomo agora só quando passa um longo tempo e sinto uma necessidade imperiosa de lavar indeléveis pecados que nunca hei de apagar.
O mais torturante não tem sido conviver com a depressão, ela faz parte de mim, é um membro do meu corpo e, se amputada, continuarei a senti-la.
O que me mata, a cada minuto, é saber que terei que me expor e pedir ajuda.
Pelos meninos - que de mim, já desisti, há muito.
Curiosity becomes a heavy load, too heavy to hold it forces you to be… cold
E hoje eu senti
Hoje eu senti sua falta. Não tem como nem porquê, apenas me deu saudades.
Senti tua ausência e doeu. Talvez por que tenha lido um tweet seu, ou talvez por que você sumiu.
Senti seu cheiro, morri por 4 minutos e voltei. Soube que você não se apaixonou, like me.
Ótimo
São de pessoas como você que me faço forte, serena e calma.
Fique longe, ainda que eu te queira. Me deixa em paz.
Ao mesmo tempo
Pensamentos recorrentes me distraem quase ao mesmo tempo em que a vida me chama de volta para ela, porque eu não assim tão distraída, nem assim tão centrada.
Amores transparentes me consomem ao mesmo tempo em que me disponho a priorizar a pessoa que pretendo ser todos os dias, começando pela manhã até o último cigarro.
Teses desafiantes diminuem minha capacidade de síntese e de argumento sempre que, ao mesmo tempo, sinto-me tão capaz de escrever sobre o Direito e dissertar acerca do que defendo naquele instante de convencimento.
Fome incandescente me dói inteira por dentro, mas é sempre ao mesmo tempo em que o jejum me aperfeiçoa na arte de não querer nada que realmente me dê prazer.
Saudades angustiantes me fazem chorar sentida, quando, ao mesmo tempo, me vêm à mente os momentos indeléveis que me apegaram àquelas pessoas, e de novo estou feliz.
Solidão enervante sinto na volta para casa e na ida para o trabalho, ao mesmo tempo em que sustento um rosto sereno e uma vontade imensa de fazer aquele dia inteiro valer a pena.
Insônia delirante, embaralha minhas ideias e desorganiza o raciocínio, ao mesmo tempo que realinha detalhes antes subjugados e define prioridades nunca pensadas até então.
Sono constante, fuga de uma realidade não dura, mas tensa, que escapa da percepção o que desaponta e desconstrói, ao mesmo tempo que descansa, acalma a alma e possibilita o sonho.
Feliz e triste ao mesmo tempo.





